quarta-feira, 5 de agosto de 2009

OS FRUTOS DA "LIBERDADE" SEXUAL por Judith Reisman

Não é sorte nossa vivermos numa era de liberdade sexual? Sorte por repudiarmos as crenças de nossos fundadores de que Deus tudo vê e que nos julga? Sorte porque a revolução sexual ensinou aos americanos a relaxar e ‘desencanar’ quanto às consequências de seus atos?

Não foi mesmo uma sorte a revolução sexual nos ter ensinado que o sexo era um apetite – igual ao que temos por comida? Sorte de podermos ‘transar’ em qualquer lugar e quando quisermos? Sorte de saber que sexo casual e sem compromissos acabou com a frustração e criou um paraíso erótico e a paz mundial?

Sorte de ficar sabendo que a inibição sexual puritana, vitoriana, causava a violência sexual?

Depois de cinquenta anos ridicularizando a inibição sexual, nós agora podemos olhar à nossa volta e ver exatamente quem se beneficiou de nossas liberdades sexuais.

Foram as crianças? As mulheres? Os adolescentes? A nação? O mundo?

Eu vejo os beneficiários da liberdade sexual como um poderoso e sempre crescente corpo de revolucionários: pedófilos e pederastas, exibicionistas e voyeurs, estupradores e sádicos bi/trans/homossexuais, adúlteros, cafetões, prostitutas, e uma variedade de homens e mulheres explorados e exploradores, pessoas comumente viciadas em drogas lícitas ou ilícitas, incluindo a pornografia de sua escolha, as ‘ertotoxinas’ que mascaram a dolorosa percepção de sua impotência, vacuidade e trauma.

Em 2006, citando números de casos de estupro oficialmente mais baixos, advogados homossexuais assumidos afirmaram que a maior liberdade sexual e o uso da pornografia haviam reduzido os números de estupros.

Mas é claro que liberar a luxúria significava que os crimes sexuais já atingiam níveis de pandemia. Eu descobri que a polícia estava “reduzindo o número de estupros com um apagador”. Além disso, assim que a revolução sexual foi detonada, os dados sobre estupros de crianças menores de doze anos foram excluídos dos registros do FBI.

Agora, o Human Rights Watch confirma o “Fenômeno do Apagador de Estupros”, ao relatar que “12.669 kits de coleta de provas de estupro” apodreciam nos depósitos do Condado de Los Angeles (assim como em outros estados e em campi universitários).

Em 2007, a cidade de Los Angeles registrou 1.474 estupros (uma média de quatro por dia). Míseros 25% dos estupros resultaram em prisões, e casos envolvendo crianças continuaram a ser ignorados no registro de dados.

Em 1948, aproximadamente a metade dos estados americanos, em nossa sociedade sexualmente inibida, aplicava as penas de prisão perpétua ou de morte pelo crime de estupro. O restante era um pouco mais leniente. Todavia, depois da revolução sexual kinseyana, até mesmo os testemunhos de crianças vítimas de estupro foram, em larga medida, ignorados pelos tribunais, e os predadores sexuais começaram a andar livremente. Pois os estupradores passaram a defender seus crimes como se estes fossem “atos consensuais”. E quando não era esse o caso, os juízes e júris recebiam a informação de que, afinal, o estupro era apenas “sexo demasiadamente entusiástico”.

No final dos anos 1970, décadas depois da eclosão da revolução sexual, os trabalhos hercúleos de uns poucos defensores das vítimas produziram um kit de coleta de provas de abuso sexual, [SAEK, na sigla em inglês]. Esses novos “estupro-kits” incluíam provas biológicas, DNA, cuidadosamente coletado dos corpos das vítimas de estupro ou outra forma de abuso sexual.

Em 1982, graças a uma lei assinada pelo Presidente Reagan, a “Victims of Crime Act”, o sistema judiciário criminal começou a reconhecer que as vítimas, tanto quanto os transgressores, tinham direitos. As provas obtidas por meio dos “estupro-kits” tornaram-se ferramentas cruciais para justificar prisões e condenações.

Apesar de as provas de DNA agora poderem confirmar crime, os registros de estupros eram e continuam sendo limitados, uma vez que os predadores ficam pouco tempo na prisão, ou nem sequer são presos. Na verdade, a legislação de “crimes por preconceito” pode acabar protegendo crimes sob a legenda de “parafilias”1. Muito depende da moralidade dos agentes da lei e do nosso judiciário.

Considerem:

Em 1992, um juiz da mais alta corte do estado de Nova York – e aspirante à Suprema Corte dos Estados Unidos – foi pego por espreitar sua amante e enviar pornografia pelo correio à filha dela. Em 2002, um juiz da Corte Superior de Orange County (Califórnia) foi preso por seduzir meninos e por posse de pornografia infantil. Em 2008, um juiz da Corte de Apelações do 9º Circuito, e em 2009 um juiz da Suprema Corte de Delaware, foram ambos pegos enviando pornografia a amigos íntimos – e em 2007, um promotor federal foi pego ao abordar sexualmente uma criança de cinco anos.

Os americanos esperam justiça de homens como esses ou do sistema que eles representam?

Ainda que a lista de prisões apresentada abaixo, numa seleção feita pelo Centro Nacional pelas Crianças Desaparecidas e Exploradas [National Center for Missing and Exploited Children] nos dias 6 e 7 de maio, não apresente nomes de nenhum juiz, promotor, presidente ou legislador, esta amostra criminal representa uma crescente população sexualmente predatória que vem dando forma ao nosso mundo:

Um homem de Bridegport, fora da prisão há apenas dois meses depois de cumprir pena por rapto seguido de estupro, tentou estuprar uma garota de 16 anos. Gentilmente, o juiz determinou que o estuprador cumprisse uma pena de 18 meses na prisão, seguida de vigilância eletrônica.

Um cientista da NASA foi preso por usar um computador do governo para armazenar pornografia infantil.

Um diretor do Boys and Girls Club do Texas foi preso por ato sexual com uma criança e posse de pornografia infantil.

Um capitão dos bombeiros de Salt Lake City, Utah, foi preso por posse de pornografia infantil.

Um treinador colegial de South Bend, Indiana, admitiu ter violado sexualmente uma de suas alunas.

Uma professora primária de San Diego foi presa por ato sexual com um de seus alunos.

Um administrador da universidade Texas A&M foi preso por ato indecente com um menino.

Um professor de matemática de Clifton, Nova Jersey, foi preso por violar uma de suas alunas.

Um bombeiro/paramédico de Tampa, Flórida, foi encontrado com maconha e pornografia infantil em sua casa.

Um pastor de Liberty, Montana, foi preso por seduzir uma criança, numa tentativa de estupro.

Um veterano do departamento de polícia de Racine, Wisconsin, foi preso por abuso sexual de crianças, incesto, etc.

Um professor do colegial, em Tulsa, Oklahoma, foi condenado a 476 anos de prisão
pelo abuso sexual de uma menina de 13 anos.

Um pastor de grupo de jovens em Birmingham, Alabama, levou uma menina de 15 anos a um estado vizinho para lá manter relações sexuais com ela.

Um treinador de Orange County, Califórnia, recebeu pena de 180 dias de liberdade condicional por armazenar pornografia infantil.

Como é que esses juízes, professores, treinadores, ministros religiosos, bombeiros, paramédicos, cientistas da NASA, policiais, diretores de grupos de crianças, etc., trataram aqueles em seu poder?

A revolução sexual vem avançando desde que a bomba de Kinsey caiu em 1948.

A ausência de inibição sexual deixa líderes ao redor do mundo sujeitos à chantagem e corrupção, e a servir secretamente aos interesses especiais de outros desviados “no armário”.

À medida que as definições de “crimes por preconceito” forem transformadas em leis, notem que a proteção às ‘parafilias’ fortalecerá enormemente os misóginos, heterofóbicos, molestadores de crianças e uma miscelânea de estranhos revolucionários pós-sexualizados.

Além da “mera” pobreza, tempos difíceis estão a nossa espera.

Observem seus juízes, legisladores, professores e policiais – Ah...e observemos um pouco de inibição sexual!

© Judith Reisman

Tradução: Henrique Paul Dmyterko

1 NT: Cf. Aurélio, parafilia: Cada um de um grupo de distúrbios psicossexuais em que o indivíduo sente necessidade imediata, repetida e imperiosa de ter atividades sexuais, em que se incluem, por vezes, fantasias com objeto não humano, auto-sofrimento ou auto-humilhação, ou sofrimento ou humilhação, consentidos ou não, de parceiro. [Deste grupo fazem parte o exibicionismo, o fetichismo, a frottage, a pedofilia, o masoquismo sexual, o sadismo sexual e o voyeurismo].

Fonte: http://www.midiaamais.com.br/cultura/670-os-frutos-da-liberdade-sexual

Lendo os artigos da Dra. Judith Reisman aqui no Mídia@Mais, é inevitável a reação de horror e repúdio a Kinsey e seus discípulos. Um pouco mais complicado foi dar-me conta de que não fiquei imune a essa revolução sexual, especificamente no que diz respeito à pornografia, seja ela 'soft' ou 'hard'. Segundo estudos na área de neurociência, citados pela autora em um de seus livros, a exposição (mesmo breve) a certas imagens altera a estrutura neuroquímica cerebral, neutralizando a cognição. A estreita cooperação do Instituto Kinsey com revistas pornográficas foi meticulosamente planejada. Alguém nascido depois de 1960 arriscaria dizer que não foi vítima dessas mudanças?

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

CALVINISMO, CONFORME A REVISTA TIME, É A IDEIA QUE ESTÁ MUDANDO O MUNDO


A revista Time apontou o novo Calvinismo em terceiro lugar, na sua matéria de capa sobre as 10 Idéias transformando o mundo na atualidade(...).

Maiores informações, clique AQUI.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Primeiro juiz da Suprema Corte australiana: homossexualidade e tributo a Alfred Kinsey

Alfred Kinsey: pedófilo homossexual é objeto de agradecimentos de outra vítima de uma das maiores fraudes do século XX

“O primeiro juiz da Suprema Corte australiana a declarar sua homossexualidade fez um emocionado tributo ao pai da moderna pesquisa sexual, Alfred Kinsey”

No momento em que nosso interesse se volta para a indicação de um novo membro da Suprema Corte dos Estados Unidos1, prestem atenção nisso:

“Michael Kirby, o primeiro juiz da Suprema Corte australiana a declarar sua homossexualidade, fez um emocionado tributo ao pai da moderna pesquisa sexual, Alfred Kinsey”. Kinsey o modificou e “ajudou a modificar o mundo”.2

Kirby declarou: “Kinsey falou para a nossa espécie e não apenas para os Estados Unidos”.

Durante décadas, uma comunidade acadêmica manipulada e a grande mídia esconderam as fraudes de Kinsey na ciência, fazendo com que o poder judiciário remodelasse erroneamente as leis, as idéias e a conduta de “nossa espécie” conforme a imagem de Kinsey, isto é, a de um bi/homossexual viciado em sexo e pederasta ativista.

Por exemplo, o juiz Kirby foi presidente da Comissão Internacional de Juristas, [http://www.icj.org], que conta com advogados, juízes, catedráticos e estudantes de Direito afiliados em mais de 70 países [incluindo o Brasil]. Como tal, as falsas noções do juiz Kirby acerca da sexualidade humana ajudariam a criar um judiciário radical quanto a temas sexuais.

Quando o agora aposentado juiz australiano era ainda um adolescente vulnerável, ele aprendeu que Kinsey tinha provado que todo desejo sexual era igual, “apenas uma variante da natureza”.

O comentarista australiano, Bill Muehlenberg, respondeu ao juiz Kirby na Christian Today: “Se alguém se pergunta por que a sociedade está envolvida em tamanha bagunça, basta dar uma olhada em nossas elites governantes... nos juízes, nas pessoas influentes, nos intelectualóides. Por exemplo, um ex-juiz da Suprema Corte australiana está louvando publicamente um dos mais notórios pervertidos sexuais da história recente”.

Confiando na linha partidária do Instituto Kinsey, o juiz Kirby acreditou que o professor era “um tímido taxonomista” que apresentou objetivamente “a verdade da natureza revelada pela ciência”. Ele acreditou na falsa idéia de que Kinsey teria baseado o “relatório” contido em seu livro de 1948, O Comportamento Sexual do Macho Humano, em quase 18.000 pessoas entrevistadas, um corte transversal, uma amostra representativa da população masculina americana.

Acreditando num Kinsey casado, supostamente “tímido”, e também em seus co-conspiradores, o juiz Kirby adverte que a “homofobia” é reforçada pela “instrução religiosa”.

Mas o juiz Kirby não sabia que Kinsey mentiu sobre suas entrevistas, que ele jogou fora 75% daquelas que não o agradavam, ou, tal como escreve Muehlenberg, que em sua maioria os dados provinham “de infratores sexuais na cadeia, criminosos comuns, pedófilos e prostitutas”, a quem Kinsey chamava de “normais, a corrente em voga”, a fim de tornar normal a perversão.

Confiar em Kinsey significava que Kirby, um juiz da Suprema Corte australiana, assim como muitos outros juízes, iriam votar a respeito de casamento, sodomia, ódio e sobre todas as questões sexuais, baseados nas mentiras de Kinsey acerca da Maior das Gerações [The Greatest Generation]3, mentiras tais como estas:

A promiscuidade sexual é normal e, portanto, inofensiva;

10 a 37% dos homens são homossexuais ocasionais;

Toda a pornografia é inofensiva e saudável;

Crianças são sexuais desde o nascimento, logo, o sexo entre adultos e crianças é inofensivo, a menos que os pais perturbem a criança;

A masturbação nunca é obsessiva e melhora os casamentos;

A prostituição é inofensiva e comum;

Todos os orgasmos são bons, de quaisquer fontes: quanto mais, melhor;

O aborto é normal e inofensivo;

A educação sexual precoce e explícita reduzirá os crimes sexuais;

Todas as leis sobre sexo deveriam ser abrandadas ou eliminadas;

A liberdade condicional deveria ser concedida a todos os infratores sexuais.

O juiz Kirby acreditava que Kinsey era “hetero” e que, portanto, a sua famosa escala sexual era objetiva. Essa escala oscilava de zero (exclusivamente heterossexual), passando por três (igualmente heterossexual e homossexual), até seis (exclusivamente homossexual), significando que todas as relações bi/homossexuais são normais.

O juiz “abertamente” homossexual tornou-se membro do conselho do Instituto Kinsey, famoso por seu enorme depósito de material pornográfico, o que demonstra a valor dado à pornografia (aparentemente, o material de pornografia infantil, antes disponível, agora é confidencial).

Alfred Kinsey e o campo da sexologia que ele iniciou moldaram as crenças e o entendimento da sociedade ocidental sobre a natureza da sexualidade humana, tal como ensinados em todos os níveis educacionais – ensino fundamental, médio e superior – e citados nos tribunais como verdades científicas.

Walter W. Stewart, cientista do National Health Institute, escreveu: “Em função da óbvia importância da obra de Kinsey, estas questões [da má ciência e do abuso de crianças] precisam ser minuciosamente investigadas e debatidas abertamente pela comunidade científica”.

Até hoje, este debate foi fraudado pelo grupo de Kinsey, permitindo que adolescentes crédulos, tal como Kirby, se tornem advogados, funcionários do judiciário, juízes e legisladores que legalizam condutas sexuais baseados num programa de mentiras sexuais.

Jack Sonnemann, diretor da Federação Australiana pela Família, criticou o juiz Kirby dizendo: “A International Planned Parenthood [no Brasil, em parceria com a BEMFAM], a comunidade internacional de educação sexual, muitos nos círculos acadêmicos, o judiciário e a mídia, também se curvam a Kinsey: um sadomasoquista, bi/homossexual, viciado em masturbação e pornografia, um psicopata que empregou pedófilos para sodomizar garotinhos”.

Sonnemann ainda acrescentou: “Agentes da lei, cientistas responsáveis, legisladores e profissionais da educação tentaram determinar o que aconteceu às ‘crianças da Tabela 34’ 4, mas sem nenhum sucesso.

Eles são bloqueados a cada passo do caminho pelos totalitários do Instituto Kinsey na Universidade de Indiana. O legado de Kinsey como torturador sexual de crianças não deveria, de forma nenhuma, ser louvado”.

A perspectiva de mais um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos que acredite nas fraudes sexuais de Kinsey só pode levar a mais desastre social.

© Judith Reisman
Tradução: Henrique Paul Dmyterko

1 NT: Artigo publicado originalmente em 15/05/2009.

2 http://www.theaustralian.news.com.au/story/0,25197,25451204-30417,00.html

3 NT: The Greatest Generation, expressão cunhada por um jornalista americano para se referir àqueles que cresceram em meio à Grande Depressão dos anos 1930 e que lutaram na II Guerra Mundial.

4 NT: VerUma odisséia pessoal até a verdade - Parte II

http://www.midiaamais.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=418&Itemid=57

quarta-feira, 20 de maio de 2009

UMA ODISSÉIA PESSOAL ATÉ A VERDADE - PARTE II

Kinsey em uma das várias sessões de filmes de conteúdo sexual com audiência de mulheres e crianças. A reação do público ao conteúdo viria a servir como guia para a avalance de produção pornográfica posterior (Foto: Kinsey, Crimes & Consequences)

Em 1977, eu estava no País de Gales para apresentar um artigo de pesquisa sobre mulheres e pornografia na Conferência Internacional da Associação Psicológica Britânica sobre “Amor e Atração”, realizada na Universidade de Swansea.

Quando cheguei a Londres fiquei sabendo que Tom O’Carroll, o líder da “Troca de Informações Pedófilas” (PIE- Pedophile Information Exchange), estava cobrindo a Inglaterra num tour de relações públicas, promovendo o sexo com crianças em seu caminho até a conferência de Swansea. Toda a Inglaterra estava em alvoroço por causa das reportagens diárias da imprensa descrevendo os objetivos da PIE e de O’Carrol.

Foi relatado que a PIE especializava-se em fornecer listas de lugares onde pedófilos pudessem localizar e seduzir crianças. Os funcionários responsáveis pela cozinha e limpeza da Universidade de Swansea entraram em greve quando souberam que O’Carroll falaria da tribuna da universidade onde trabalhavam. As camas não seriam feitas, não se preparariam refeições e nem roupas seriam lavadas se a conferência desse espaço a um homem que promovia sexo com crianças.

Eu trazia comigo oitenta slides para a minha apresentação, como provas que corroboravam minhas descobertas sobre pornografia infantil na Playboy e Penthouse. Eu já tinha entrado em conflito com um professor americano, Larry Constantine, um membro do conselho da Penthouse que advogava a pornografia infantil em seu artigo “Os Direitos Sexuais das Crianças”.

Assim, quando Constantine emitiu um boletim aflito, convocando uma reunião de oradores, eu me apressei para me juntar ao grupo. Todos os participantes internacionais foram solicitados a assinar uma petição exigindo que O’Carroll falasse e que nossas camas fossem feitas. Eu insisti para que o grupo reconsiderasse. Nós estaríamos de partida em poucos dias, argumentei. Tínhamos o direito de deixar para trás uma comunidade desfeita por nossa vontade de dar lugar a um prosélito do molestamento infantil? Eu fui a única a não assinar a petição. Finalmente, o presidente da Universidade de Swansea considerou que O’Carroll não tinha credenciais para falar e o serviço de cozinha e limpeza voltou a funcionar.

Eu me perguntava: “Como?”, “por quê?” os funcionários de serviços domésticos puderam combativamente proteger os seus filhos, enquanto acadêmicos treinados permaneceram apáticos, até mesmo simpáticos a esse pedófilo, O’Carroll. Meus antigos desapontamentos com a comunidade universitária continuaram, na medida em que notei que esses homens e mulheres credenciados comportavam-se com tamanha indiferença para com a população local, desdenhando daquilo que eu considerava serem preocupações bastante legítimas quanto à proteção de seus próprios filhos.

Com O’Carroll já fora do País de Gales, eu estava saindo para pegar o trem com destino a Londres, quando um psicólogo canadense discretamente me chamou de lado. Ele disse que, evidentemente, eu estava certa. Aquelas imagens de crianças na Playboy/Penthouse causariam ações sexuais nas crianças. Mas se eu estava procurando a causa para a epidemia global de abusos sexuais contra crianças, ele me disse para não deixar de ler a respeito de Alfred Kinsey no The Sex Researchers [Os Pesquisadores do Sexo], de autoria de Edward Brecher. “Por quê?”, perguntei. “Eu trabalhei com Kinsey e Pomeroy”, disse ele. “Um era pedófilo e o outro, um homossexual”. “Quem era o quê?", perguntei. “Leia e descubra”, replicou o canadense.

Enquanto eu voava de volta para os Estados Unidos, ponderei os eventos das últimas semanas. Evidentemente, eu agora sabia, pois havia testemunhado os fatos, que havia um “movimento pedófilo acadêmico internacional”, crescente e diligente em fazer prosélitos, conhecido publicamente como desejoso em obter acesso a crianças para fins sexuais. Eu tropecei bem no meio deles durante a conferência. Novamente, eu me perguntava que tipo de treinamento acadêmico estava produzindo a intelligentsia vulgarizada e predatória que eu tinha conhecido em Swansea.

Seguindo a sugestão do psicólogo canadense, assim que cheguei aos Estados Unidos li o livro de Edward Brecher, The Sex Researchers. Na época, eu não estava certa sobre o quê me deixou mais estonteada, se o uso que Kinsey fez de crianças em experimentos sexuais, ou o fato de que Brecher aceitava o seu uso como metodologia de pesquisa. Atônita, eu me voltei ao livro original de Kinsey para checar Brecher. Sim, ele estava citando Kinsey com acurácia. Agora eu finalmente sabia que havia uma autoridade fonte para que as crianças fossem crescentemente vistas sexualmente; para mim, pessoalmente, a pergunta de anos atrás estava respondida. Minha tia e minha amiga Carole tinham tirado a idéia de que “crianças são sexuais desde o nascimento” de Alfred Kinsey.

Em 1981, eu estava em meu escritório sobre o topo de uma montanha, na Universidade de Haifa, em Israel, olhando fixamente paras tabelas de números que me olhavam de volta a partir do mundialmente famoso livro de Kinsey, O Comportamento Sexual do Macho Humano.



'Exemplos de orgasmos múltiplos em pré-adolescentes masculinos', a Tabela 34 da obra de Kinsey.

Tal como eu já tinha feito muitas vezes antes, estava estudando a página 180, Tabela 34, esforçando-me para ver se eu tinha deixado de notar alguma coisa, se havia algo que entendi errado anteriormente. Tinha checado todas as citações e referências de Kinsey na biblioteca, mas em nenhum lugar havia qualquer menção a dados sobre abusos de crianças.

Eu busquei todos os livros sobre Kinsey, li biografias, as centenas de artigos positivos a seu respeito e ao seu trabalho, e as poucas críticas rigorosas, mas em nenhum lugar havia qualquer crítica a essas tabelas e gráficos. Eu estava começando a aceitar o fato de que milhares de cientistas internacionais que estudaram Kinsey nunca viram o que estava bem diante de seus olhos.

Em março de 1981 recebi uma resposta à carta que enviei ao co-autor do livro de Kinsey, Dr. Paul Gebhard. Eu havia escrito perguntando-lhe a respeito dos dados sobre crianças nas Tabelas 30 a 34. Gebhard, que sucedeu Kinsey como diretor do Instituto Kinsey, escreveu-me dizendo que os dados sobre crianças nas tabelas de Kinsey foram obtidos de pais, professores e de homossexuais que gostavam de garotinhos, e que alguns dos homens usaram “técnicas manuais e orais” para catalogar quantos “orgasmos” criancinhas e crianças mais velhas poderiam produzir num determinado período de tempo.

Armada com a carta e as admissões de Gebhard, em 23 de junho de 1981, criei um alvoroço em Jerusalém, por ocasião do V Congresso Mundial de Sexologia, onde proferi uma palestra sobre o Dr. Kinsey e os dados sobre crianças. Eu estava confiante de que meus colegas sexólogos ficariam tão ultrajados quanto eu diante dessas tabelas e dados que descreviam a dependência de Kinsey em pedófilos como seus experimentadores sexuais infantis. Talvez o pior de tudo para mim, como estudiosa e mãe, estava nas páginas 160 e 161, onde Kinsey afirmava que os dados vinham de “entrevistas”. Como é que ele pôde dizer que 196 crianças pequenas – algumas com apenas 2 meses de idade – desfrutaram de “desmaios”, “gritos”, “choro” e “convulsão” e ainda dizer que essas reações das crianças eram provas de seu prazer sexual e “clímax”? Eu disse que eram provas de terror, dor, bem como de crimes. Um de nós dois estava muito, muito confuso.

Eu estava certa de que a altamente educada comunidade científica internacional dedicada à sexualidade, reagiria tal como eu reagi. Certamente, esta revelação sobre Kinsey, sua equipe, e todos esses dados sobre criancinhas de colo e crianças iriam eletrizar uma conferência global de Ph.D.s, e muitos iriam concordar com o meu pedido de uma investigação sobre Kinsey. A nata mundial de cérebros dedicados à sexualidade humana estava presente para a conferência de Jerusalém: lá estavam doutores da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, Dinamarca, Israel, Noruega, Canadá, Escócia, Holanda, Suécia e de dezenas de outros países. Todos os presentes à conferência conheciam o meu artigo. Ele tinha sido o assunto do evento, recebendo mais atenção do que o discurso de Xaviera Hollander “The Happy Hooker – A Prostituta Feliz” sobre o tema geral “Desligado do Sexo”. As pessoas estavam excitadas sobre a questão das crianças de Kinsey durante toda a conferência.

Meu título, “O Cientista como Agente Contribuinte para o Abuso Sexual Infantil; Uma Consideração Preliminar de Possíveis Violações Éticas”, tinha sido publicado nos sumários da conferência. O resultado não foi menos do que eu esperava: uma sessão única numa sala lotada, com pessoas de pé. Eu estava gratificada pelo fato de que tantas pessoas estavam tão preocupadas quanto eu. Depois de apresentar meus slides das Tabelas 30 a 34 de Kinsey, as quais descreviam o relatório de Kinsey quanto a taxas e velocidades de “orgasmos” de pelo menos 317 crianças (lembrando, novamente, que a mais nova tinha apenas 2 meses de idade) e apresentando a carta de confirmação de Gebhard, encerrei minha argumentação e voltei meu olhar para o público. A sala estava em silêncio total. Finalmente, um tipo nórdico, alto e loiro, que tinha estado de pé próximo à tribuna, não se conteve e praticamente gritou para o público:

“Eu sou um repórter sueco e nunca falei numa conferência. Esse não é o meu papel. Mas, qual é o problema com todos vocês? Esta mulher acabou de jogar uma bomba atômica nesta mesma sala e vocês não têm nada a perguntar? Nada a dizer?”.
Isso quebrou o gelo e muitas mãos se levantaram pedindo para falar. Os comentários daqueles no público eram limitados pelo moderador da conferência, mas uma investigação teria lugar. A reação na sala foi pesada; foi atordoante para alguns, desconfortável para outros. Mais tarde, a diretora de educação sexual da Suécia aproximou-se para me dizer que estava chocada com o fato de que crianças tinham sido usadas sem consentimento. Porém, ela se apressou em me assegurar que crianças poderiam ser sexualmente estimuladas por adultos, até mesmo pelos pais, se isso fosse estritamente para fins terapêuticos, é claro. No final daquela tarde, minha jovem assistente da Universidade de Haifa voltou do almoço visivelmente abalada. Ela tinha dividido uma mesa privativa com os executivos internacionais da conferência.

Meu artigo foi contestado acaloradamente e em grande medida, condenado, uma vez que todos àquela mesa concordavam completa e sinceramente que crianças de fato poderiam ter sexo “amoroso” com adultos. Eu percebi claramente que todo o campo da pesquisa sexual dependia do modelo de sexualidade humana de Kinsey como referência máxima, e eu estava ali para dizer a seus discípulos que Kinsey era uma fraude. Se por um lado eu estava decepcionada por essa reação, com tantas agências internacionais presentes e com interesses econômicos inconfessáveis, além de motivações emocionais na manutenção da credibilidade de Kinsey, eu compreendi por que a conferência não escolheu investigar Kinsey.

Meses mais tarde, minha filha morreu vítima de um aneurisma cerebral. Sem nunca saber se o estupro que tinha sofrido na infância contribuiu para a sua morte, eu dedicaria décadas da minha vida para proteger outras crianças da crescente multidão de discípulos de Kinsey-Hefner[1]. Em 1982, logo após a confrontação em Jerusalém em torno da Tabela 34 de Kinsey, fui convidada pelo Departamento de Justiça – Justiça Juvenil e Prevenção de Delinquência, a retornar aos Estados Unidos. Fui nomeada Professora-Pesquisadora Plena na American University, para atuar como investigadora-chefe num projeto com uma dotação de oitocentos mil dólares para investigar o papel de Kinsey no abuso sexual de crianças e o elo para a aparição de crianças na pornografia em voga, i.e., Playboy, Penthouse e Hustler.

A indústria do sexo comercial agora tinha juntado forças com o Instituto Kinsey e a sexologia acadêmica para evitar que qualquer luz fosse lançada sobre o seu mundo. Com o tempo, eu obteria cópias de cartas secretas e pacotes, clandestinamente enviados mundo afora pelo Instituto Kinsey e por pornógrafos para desacreditar minha investigação sobre Kinsey e aquela sobre as crianças que apareciam em suas revistas. Secretamente, o Instituto Kinsey ameaçou processar a American University se eu fosse autorizada a continuar meu estudo.

Deste modo, escondendo a razão que os fazia serem tão deliberadamente obstrucionistas, a American University exigiu que eu não estudasse qualquer coisa relacionada a Kinsey. Obviamente, esta era uma violação total da liberdade acadêmica, assim como do direito do público à informação, na verdade, uma violação daquilo que o contribuinte estava pagando para saber. O tempo todo, o Instituto Kinsey manteve um esforço obstinado e furtivo, em grande medida para manter a mim e minhas descobertas longe da imprensa e dos meios de teledifusão, de todas as conferências e publicações profissionais relevantes, de editores de livros e assim por diante.

Em 1990, quando algumas de minhas descobertas sobre abuso de crianças foram impressas num livro de pequena circulação, um popular apresentador de talk-show e um devoto de Kinsey, Phil Donahue, transmitiu pela televisão a importância geral de Kinsey para o mundo. Um garoto da platéia perguntou por que Kinsey deveria ter alguma importância para ele. O Sr. Donahue instruiu o jovem, jovem demais para se lembrar:

“Kinsey foi para a sexualidade o que Freud foi para psiquiatria, o que Madame Curie foi para a radiação, o que Einstein foi para a física. E agora aparece essa mulher [Reisman] dizendo, ‘E não é igual a mc²’. Nós baseamos a educação de toda uma geração de sexologistas em Kinsey, e Kinsey era um velhote obsceno”.

Embora naquele dia Donahue tenha contra argumentado em favor de Kinsey, retratando-o como um bom homem de família, eu sugiro que é hora de deixar as pessoas decidirem por si mesmas quem e o quê Kinsey foi. A despeito do que foi dito pelo Sr. Donahue, isto é certo: o mundo tem o direito de saber o que foi escondido até agora; de fato, um direito e uma responsabilidade de saber o que aconteceu às crianças da Tabela 34.

É hora de identificar que efeito Alfred Kinsey, o pai da revolução sexual e da educação sexual, teve sobre as vidas de inumeráveis indivíduos. Desde 1948, dados de relatórios de saúde pública confirmam uma enorme transformação na maneira que os americanos e o resto do mundo ocidental vê a sexualidade humana. Os resultados são dificilmente tranquilizadores. Uma vez que a mudança ocorreu ao longo dos últimos 50 anos, é certo que, com base em provas estatísticas, nossa direção merece revisão. Usando as palavras do Sr. Donahue, a cultura ocidental “baseou a educação de toda uma geração de sexologistas em Kinsey e Kinsey era um velhote obsceno”.

O que isso significa para todos nós? Este livro, eu espero, será uma resposta. No momento em que o Congresso americano se prepara para investigar Kinsey sob a Lei de Proteção à Criança e Ética na Educação [HR 2749] [2], e quando o Instituto Kinsey se prepara para a sua retrospectiva dos 50 anos de contribuições de Kinsey à sociedade, é minha maior esperança, como estudiosa e mãe, que a verdade finalmente seja apresentada – e que o mundo tenha a coragem de olhar para a verdade em benefício das gerações futuras.
NT[1]: Hugh Hefner, dono da Playboy

NT[2]: Em poucos anos, essa lei virou letra morta, por pressão e influência das Fundações Ford e Rockefeller. Para ler mais, clique aqui.

Uma odisséia pessoal até a verdade - Parte I

UMA ODISSÉIA PESSOAL ATÉ A VERDADE - Parte I

A partir de hoje, o leitor do Mídia@Mais poderá acompanhar a história e os desdobramentos da batalha pessoal de Judith Reisman, autora da obra capital "Kinsey, Crimes & Consequences", em sua luta de décadas contra a cultura que estabeleceu o destrutivo, o criminoso e o bizarro como padrões normais no campo da conduta sexual do ser humano.

Para introduzir o leitor à obra da Dra. Reisman e a esse mundo que ela descobriu nefasto, o mundo da pornografia aliado à academia, o estado, as fundações bilionárias e o big business, a Editoria do M@M escolheu o prefácio da obra que, como o título indica, traz, além da análise histórica e biográfica dos principais personagens envolvidos na trama, o alcance atingido por suas ações, na tentativa de destruir a moralidade tradicional em busca de prazer, dinheiro e poder ilimitados.

(Editoria Mídia@Mais)

INICIALMENTE, gostaria de me apresentar de modo a que os leitores soubessem algo sobre a minha vida e sobre como eu vim a descobrir os procedimentos de experimentação com crianças de Alfred Kinsey, seus dados falseados, sua moldagem da moderna educação sexual e da cultura e conduta sexual ocidental, e também para que saibam como me envolvi em audiências governamentais internacionais sobre fraudes nas ciências, abuso sexual de crianças, delinqüência juvenil, pornografia, drogas e outras questões críticas de nossa época. Tentarei tocar nos pontos da minha vida que acredito possam ser mais úteis aos leitores deste desmascaramento de Kinsey.

Nasci em 1935, chamada Judith Ann Gelernter, em Newark, Nova Jersey. Minha grande e próspera família já era de uma segunda geração de judeus americanos, de origem russa pelo lado materno e alemã, pelo lado paterno. Ambos os ramos de avós da família fugiram da perseguição na Europa, e ao desembarcar em Ellis Island, Nova York, agradecidamente abraçaram seu país adotivo e imediatamente aceitaram trabalhos humildes, criando famílias de realizadores.

Meu pai, Matthew, nasceu em Massachusetts e minha mãe, Ada, em Nova Jersey. Os Gelernter faziam reuniões de família, a cada dois ou três meses, numa casa muito grande em South Orange, Nova Jersey. Mais de quarenta adultos e dúzias de crianças sentavam-se à mesa para jantares preparados com muito gosto, observando as maneiras impecavelmente. Sem o advento da televisão, os jantares eram seguidos de acalorados debates sobre política entre meus pais e o restante da família. Meus pais eram os radicais da família. Eles acreditavam na amplamente divulgada propaganda de um mundo novo perfeito sob o socialismo ou o comunismo. Nenhum de nossos grandes jornais jamais havia trazido a público o assassinato de muitos milhões de russos pelo “Tio Joe” Stalin.

Entrementes, meu pai frequentemente fazia com que eu me lembrasse que “Gelernter” significa “o instruído” em alemão, um nome de distinção atribuído aos meus antepassados. “Sua vida deve ser em honra ao seu nome”. Tendo herdado algum talento artístico de meus pais, o que me proporcionou uma gratificante profissão quando já adulta, eu deles também herdei o amor pela verdade, a preocupação pelos impotentes e indefesos e a resistência à tirania, traços que me lançaram sobre a difícil jornada descrita neste livro.

Vivi numa época maravilhosa. Minha mãe me dava as boas vindas todos os dias e meu pai me apoiava em tudo que eu fizesse. Eu estava segura entre vizinhos, tios ou primos, como era comum à época. Casei-me e o muro de proteção em torno da minha vida resistiu até 1966, quando minha filha de 10 anos de idade foi molestada por um garoto de 13 anos, até ali, um amigo adorado e merecedor da confiança da família. Ela lhe disse que parasse, mas ele insistiu. Ele sabia que ela iria gostar, disse ele, ele sabia disso do que leu nas revistas Playboy de seu pai, a única pornografia “aceitável’ naquele tempo. O garoto deixou o país poucas semanas depois, quando veio à luz o fato de que minha filha foi apenas uma de várias crianças da vizinhança que ele tinha estuprado, incluindo o seu próprio irmão menor. Meu coração ficou despedaçado por todas as famílias envolvidas.

Eu ficaria sabendo mais tarde que este estarrecedor evento em nossas vidas era um padrão entre os infratores sexuais juvenis, tal como eles são conhecidos nos círculos policiais e judiciais.

Eu poderia nunca ter sabido nada a respeito da violação de minha filha, exceto porque ela caiu em profunda depressão. Somente após ter prometido não chamar a polícia é que ela falou sobre o que aconteceu. Depois de lhe assegurar que aquilo não fora culpa dela, eu telefonei para a minha tia, confiável e séria, que ouviu compreensivamente e então declarou: “Bem, Judy, ela mesma pode ter procurado por isso. Crianças são sexuais desde o nascimento”. Estupefata, eu repliquei dizendo que minha filha não estava buscando sexo, e então telefonei para Carole, minha amiga de escola, em Berkeley, que aconselhou: “Bem, Judy, ela mesma pode ter procurado por isso. Crianças são sexuais desde o nascimento”. Eu fiquei intrigada com essa locução, usada por duas pessoas tão diferentes e tão distantes geograficamente. Eu reconheci uma “linha partidária”, ideológica. Eu ainda não sabia, mas como uma jovem mãe, eu tinha entrado no mundo de acordo com Kinsey. Eu iria ouvir e ler “crianças são sexuais desde o nascimento” com bastante frequência. Mas finalmente, eu iria descobrir e expor as circunstâncias ocultas em torno da sua fonte.

Em 1973 sentei-me na filmoteca da CBS TV escolhendo o trecho exato do clip da Encyclopaedia Britannica, “Market Day in Old England”, que eu usaria para o meu próximo vídeo-musical para crianças. Eu era uma produtora de vídeos-musicais para o programa “Captain Kangaroo”, o mais querido, confiável e duradouro programa de televisão para crianças nos Estados Unidos.

Jim Hirschfeld, o produtor de “Captain”, me colocou para trabalhar logo depois que viu amostras de minhas produções de vídeos-musicais anteriores, para estações de TV em Wisconsin, em Ohio, além de outros trabalhos, que incluíam material educativo para vários museus de arte. Naqueles dias, eu estava muito preocupada quanto ao modo pelo qual as imagens impactavam no cérebro, no intelecto e na memória.

Jim era um homem gentil, cortês, e um pai dedicado, de modo que ele me fez amplas concessões para que eu trabalhasse a partir de minha casa em Cleveland. Eu gravava num estúdio local, ilustrava as canções e enviava o produto final para Nova York. Sem nenhum agente, dependendo apenas do talento que me foi dado por Deus, eu estava no topo do meu campo de trabalho. Também estava profundamente impressionada pelo fato de que o sistema americano de recompensa pelo mérito tivesse tornado isso possível. Então, um dia Jim chamou-me ao seu escritório e com relutância, mostrou-me um relatório gerado por computador. Um grupo de teste composto por crianças foi estudado, usando uma câmera oculta para acompanhar os movimentos de seus olhos. Jim assegurou-me que, ainda que ele apreciasse muito as minhas cuidadosas melodias, o anunciante queria os olhos das crianças grudados na tela da TV. Sem as mães controlando o seletor de canais, as crianças agora assistiam televisão sozinhas, mudando do “Captain” para desenhos animados. Eu teria de acelerar o tempo de minhas melodias para competir com a ação rápida e a crescente violência dos desenhos animados de outros canais. Bob Keeshan (o “Captain”) ficou aflito com isso, tanto quanto Jim, mas não tínhamos escolha, disse ele.

Eu me vi sem vontade ou incapaz de produzir para crianças daquela maneira. Porém, nem tudo estava perdido. Com os excelentes royalties que recebi do programa, eu poderia voltar à universidade em busca de um doutorado, estudando os efeitos da mídia de massa. Tendo passado os últimos quinze anos como esposa de professor universitário, sabia muito bem tanto da importância que o mundo dava aos que tivessem o título de doutor, quanto do frequente desapontamento diante daquilo que eu intimamente considerava falta de curiosidade intelectual e vigor no meio da comunidade educada. Eu achava as festas e conversas do corpo docente de alguma forma carentes de um senso comum básico, e considerando todos os seus títulos, a maioria dos membros da academia parecia apreciar o distanciamento da realidade da maioria.

Meu trabalho em museus de arte e minha experiência na televisão deixaram-me preocupada pelo fato de que as crianças estavam sendo influenciadas, reconfiguradas e verdadeiramente mudadas, uma vez que imagens e outros estímulos excitantes diariamente alteravam a estrutura mesma do cérebro da criança receptora. Se um programa prestigioso e responsável como o “Captain” teve de acelerar seu formato nos dias de Leave it to Beaver[1], o que aconteceria nas décadas por vir? Que tipo de crianças a TV estava moldando e de que forma essas crianças alteradas mudariam nossas instituições de educação, teologia, governo, direito, medicina, família – e a própria mídia de massa?

Determinada a obter um doutorado em comunicação, entrei na Case Western Reserve University, em Cleveland, a fim de estudar os efeitos da televisão e descobrir, para minha grande surpresa como uma preocupada profissional da mídia que, por volta de 1972, a toxicidade da televisão já tinha sido bem documentada pelo relatório do Surgeon General[2] acerca da violência na televisão.

Ao ignorar as descobertas mais duras e contando que os “guardiões dos portões” não relatariam os fatos, a mídia de massa descontou e escondeu com sucesso os perigos de sua atividade. O fato de que já existia um conjunto de pesquisas sobre os efeitos da televisão, ainda que ignorado, fez com que eu mudasse o foco do meu trabalho de doutoramento, especialmente depois que testemunhei o que poderia ser chamado de preocupante experimento não-monitorado de comportamento verbal versus não-verbal.

Em uma de minhas turmas, um jovem estudante de comunicação, cuja noiva tinha acabado de deixá-lo, tinha montado o script de uma produção de vídeo usando fotos explícitas da Playboy, Penthouse, Hustler e de revistas similares. O Dr. Lowell Lynn, o professor do curso, assegurou-me que todos os estudantes que estavam trabalhando na produção deram consentimento prévio ao seu conteúdo. Eles não tinham “nenhum problema” quanto às fotografias, disse Lynn, e depois que os risinhos nervosos iniciais diminuíram, o grupo de estudantes, normalmente vivazes, fechou-se em completo silêncio. Estranhamente e enquanto nenhuma das fotos de sexo tinha se encaixado corretamente no vídeo, todas as estudantes trabalhando no projeto, da diretora à equipe de câmera, negaram verbalmente que as fotos as perturbassem de qualquer forma. Este foi um surpreendente estudo sobre descolamento da emoção genuína da realidade, uma vez que as estudantes estavam obviamente transtornadas pelo tema e conteúdo da produção.

Isto é, elas estavam tão desconfortáveis que nenhuma delas conseguia assistir aquilo que tinham concordado em filmar. E ainda assim, cada uma delas negou sua reação e culpou as outras por “não olharem” para as fotos de sexo. Eu fui embora pensando – se mulheres e garotas estão sendo expostas a essas imagens mundo afora, um número significativo de mulheres e garotas, também e necessariamente, estarão negando emoções e aversões bastante reais.

Essas imagens poderiam causar uma devastação nas delicadas relações entre marido e mulher, pensei.

Uma vez que eu tinha filhas e queria vê-las felizes e casadas com homens bem ajustados, decidi que eu deveria examinar melhor o assunto. O ano era 1976. Ainda sem ter nenhuma noção do papel de Alfred Kinsey na pornografia, nem mesmo o quão exatamente a pornografia “hard” e “soft” se relacionavam com o abuso sexual de crianças, eu não tinha a menor idéia de que eu descobriria o quão grave é esse problema ou de quão profundamente eu me envolveria na tentativa de resolvê-lo.

Todavia, eu já era capaz de ver as provas de como a aceitação cultural da visão pornográfica do sexo estava aumentando as taxas de divórcio e os distúrbios sexuais.

Tradução: Henrique Paul Dmyterko


NT[1]: Comédia de TV (1957-63), voltada para a família, cujo personagem título, Theodore “Beaver” Cleaver, era um garoto bastante inquisitivo, mas também frequentemente ingênuo.

NT[2]: Desde 1871, é o principal porta-voz do governo americano em assuntos relativos à saúde pública. É sempre um oficial de alta patente da marinha americana e é o chefe do Office of the Surgeon General (OSG).

Fonte: http://www.midiaamais.com.br/cultura/301-uma-odisseia-pessoal-ate-a-verdade-parte-i
A Drª Judith Reisman foi presidente do Institute for Media Education, de 1985 até fevereiro de 2009.

Foi investigadora-chefe e autora do Departamento Justiça dos Estados Unidos – estudo de Justiça Juvenil, Images of Children, Crime and Violence in Playboy, Penthouse and Hustler (1989), Kinsey, Sex and Fraud (Reisman, et al., 1990) e Soft Porn Plays Hardball (1991), Partner Solicitation Language as a Reflection of Male Sexual Orientation (w/Johnson, 1995), e Kinsey, Crimes & Consequences (1998, 2000) e é também comentarista do WorldNetDaily.com.

Em quatro administrações, ela foi consultora do Departamento de Justiça, do Departamento de Educação, bem como do Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

A Drª. Reisman está listada em numerosas biografias, tais como: Who's Who in Science & Engineering, International Who's Who in Sexology, International Who's Who in Education, Who's Who of American Women and The World's Who's Who of Women. (website pessoal: http://www.drjudithreisman.org)